O Edifício Pierino, no bairro dos Jardins, surge do encontro de dois gestos complementares: transparência e abrigo, traduzidos em dois volumes distintos.
Na Rua Caconde, um corpo amplo e silencioso abriga os dormitórios e assume um caráter mais protegido. O concreto envolve a planta, filtrado por uma mashrabiya em malha que garante privacidade ao mesmo tempo em que projeta sombras móveis pelos interiores. A fachada nunca é exatamente a mesma; responde de forma sutil à vida que se desenrola dentro do edifício.
Voltado para a Alameda Pamplona, o segundo volume se comporta de maneira diferente. É transparente, revelando cada laje, os pilares que as atravessam e o fechamento em vidro que emoldura os espaços. Aqui, as telas de mashrabiya aparecem apenas em pontos específicos, percorrendo o perímetro para criar diferentes cenários ao longo do dia, com um ritmo de luz mais leve.
A torre translúcida projeta uma dança de sombras sobre as empenas vizinhas — um desenho discreto da vida interior do edifício. Enquanto o volume da Caconde abriga, este revela. Enquanto um protege, o outro expõe. É por meio dessa dualidade que o conjunto se constrói.
O térreo faz a mediação entre os dois corpos. Uma marquise esguia atravessa o jardim e conduz a um generoso átrio de pé-direito duplo, definido por uma sequência de pórticos envidraçados. No lobby, um piano de cauda e uma escultura de Arthur Lescher — duas agulhas de bronze suspensas — são banhados por uma luz dourada e diagonal que reforça a sensação de orientação e da passagem do tempo.
Com materiais essenciais — concreto, vidro e madeira — o edifício se insere naturalmente em seu entorno, como se sempre tivesse pertencido àquele quarteirão. Dois volumes, duas naturezas, duas formas de se relacionar com a cidade. No encontro entre eles, surge uma arquitetura que não escolhe entre revelar ou proteger, mas encontra sua expressão precisamente no espaço entre ambos.
local > são paulo . sp . brasil
projeto > setembro . 2016
conclusão > 2025
área construída > 10.035 m2
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arquitetura > studio mk27 . delbianco arquitetura
autor > marcio kogan
co-autor > lair reis
interiores > diana radomysler
co-autor de interiores > pedro ribeiro
equipe de arquitetura > andre sumida . oswaldo pessano . regiane leão . thauan miquelin
equipe de comunicação > carlos costa . laura guedes . mariana simas . nathalia lima . tamara lichtenstein
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incorporadora > stan
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fotógrafo > fernando guerra
O Edifício Pierino, no bairro dos Jardins, surge do encontro de dois gestos complementares: transparência e abrigo, traduzidos em dois volumes distintos.
Na Rua Caconde, um corpo amplo e silencioso abriga os dormitórios e assume um caráter mais protegido. O concreto envolve a planta, filtrado por uma mashrabiya em malha que garante privacidade ao mesmo tempo em que projeta sombras móveis pelos interiores. A fachada nunca é exatamente a mesma; responde de forma sutil à vida que se desenrola dentro do edifício.
Voltado para a Alameda Pamplona, o segundo volume se comporta de maneira diferente. É transparente, revelando cada laje, os pilares que as atravessam e o fechamento em vidro que emoldura os espaços. Aqui, as telas de mashrabiya aparecem apenas em pontos específicos, percorrendo o perímetro para criar diferentes cenários ao longo do dia, com um ritmo de luz mais leve.
A torre translúcida projeta uma dança de sombras sobre as empenas vizinhas — um desenho discreto da vida interior do edifício. Enquanto o volume da Caconde abriga, este revela. Enquanto um protege, o outro expõe. É por meio dessa dualidade que o conjunto se constrói.
O térreo faz a mediação entre os dois corpos. Uma marquise esguia atravessa o jardim e conduz a um generoso átrio de pé-direito duplo, definido por uma sequência de pórticos envidraçados. No lobby, um piano de cauda e uma escultura de Arthur Lescher — duas agulhas de bronze suspensas — são banhados por uma luz dourada e diagonal que reforça a sensação de orientação e da passagem do tempo.
Com materiais essenciais — concreto, vidro e madeira — o edifício se insere naturalmente em seu entorno, como se sempre tivesse pertencido àquele quarteirão. Dois volumes, duas naturezas, duas formas de se relacionar com a cidade. No encontro entre eles, surge uma arquitetura que não escolhe entre revelar ou proteger, mas encontra sua expressão precisamente no espaço entre ambos.